CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM TECNOLOGIAS ACESSÍVEIS
Quando Você Encontrar Uma
Pessoa Deficiente ...
Tradução livre e
adaptação de folheto publicado por Henry Enns, do Canadá
Muitas pessoas não deficientes
ficam confusas quando encontram alguém que é "diferente". Uma pessoa
que tem medo de dizer alguma coisa "errada" a uma pessoa deficiente
pode até evitar uma comunicação. Este mal estar pode ser evitado se pessoas
deficientes e não deficientes se virem e interagirem mais frequentemente no
trabalho e na sociedade.
Grande parte desse mal estar é
causado pela falta de informação a respeito da deficiência. Já que muitas
pessoas não deficientes (e mesmo alguns deficientes) não estão conscientes das
implicações da deficiência, é importante que todos sejam pacientes e mantenham
abertas as comunicações.
Quando alguém age de maneira
inadequada, é bom lembrar que todo mundo comete erros de vez em quando, e
tentar lidar com a situação com humor e delicadeza. Aceite o fato de que a
deficiência existe. Não tomar conhecimento de uma deficiência é o mesmo que não
tomar conhecimento do sexo ou da altura de alguém. Mas fazer perguntas pessoais
a respeito da deficiência seria impertinente, enquanto não houver um
relacionamento mais próximo, que torna mais natural este tipo de pergunta.
Trate a pessoa deficiente como
uma pessoa saudável. Quando alguém tem uma limitação funcional, isso não quer
dizer que a pessoa seja doente. Algumas deficiências não trazem problema de
saúde.
Em alguns casos, a pessoa
deficiente pode reagir às situações de um modo não convencional, ou ainda, pode
dar a impressão de que não está tomando conhecimento da sua presença. Lembre-se
de que ela pode não ouvir bem, ou ter outra deficiência que afete os movimentos
ou dificulte o contato.
Fale sempre diretamente com a
pessoa deficiente, não com terceiros, por exemplo, um acompanhante ou um
intérprete. Ao caminhar ao lado de uma pessoa usando bengala ou muletas,
procure acompanhar seu ritmo.
Ofereça ajuda se quiser, mas
espere que seu oferecimento seja aceito, antes de ajudar. Se a pessoa precisar
de ajuda, vai aceitar sua oferta e explicar exatamente o que você deve fazer
para ser útil a ela.
Quando você encontrar um deficiente visual...
Se parecer que o deficiente visual está precisando
de ajuda, identifique-se e faça-o perceber que você está falando com ele.
Para guiar um deficiente visual,
espere que ele segure no seu braço; o deficiente visual irá acompanhar o
movimento do seu corpo enquanto você vai andando. Para fazer o deficiente
visual sentar, guie-o até a cadeira e coloque a mão dele no braço ou no encosto
da cadeira, e deixe que a pessoa sente-se sozinha.
Fique a vontade para usar
palavras como "veja" e "olhe". Nem você nem o deficiente
visual podem evitá-las, já que não existem outras para substitui-las.
Por mais tentador que seja
acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de
guiar um dono que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído do seu dever de
guia.
Quando for embora, avise sempre o
deficiente visual.
Quando você encontrar uma pessoa em cadeira de
rodas...
Se a conversa continuar por mais tempo do que só
alguns minutos e for possível, lembre-se de sentar, para que você e ela fiquem
com os olhos num mesmo nível. Para uma pessoa sentada, é incômodo ficar olhando
para cima por muito tempo.
Não se acanhe em usar palavras
como "andar" e "correr". As pessoas que usam cadeira de
rodas empregam essas mesmas palavras.
Não vá segurando automaticamente
a cadeira de rodas. Ela é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma
extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na cadeira de rodas é como agarrar
ou apoiar-se numa pessoa sentada numa cadeira comum. Isso muitas vezes é
simpático, se vocês forem amigos, mas não deve ser feito se vocês não se
conhecem. Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando
for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira
visitar com uma pessoa em cadeira de rodas.
Quando você encontrar uma pessoa surda...
Fale de maneira clara, distintamente, mas não
exagere. Use a sua velocidade, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar.
Use um tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para falar mais alto.
Fale diretamente com a pessoa,
não de lado ou atrás dela. Faça com que a sua boca esteja bem visível.
Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial.
Quando falar com uma pessoa surda, tente não ficar de frente para a luz (como por
exemplo, de uma janela); assim fica difícil ver o seu rosto, que vai ficar como
uma silhueta na luz.
Se você souber alguma linguagem
de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender,
avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas.
Fale com expressão. Como as
pessoas surdas não podem ouvir mudanças de tom que indicam sarcasmo ou
seriedade, muitas delas vão depender das suas expressões faciais, dos seus
gestos e movimentos do corpo para entender o que você está dizendo. Se estiver
tendo dificuldade em entender a fala de uma pessoa surda, não se acanhe em
pedir que ela repita o que disse. Se ainda assim não conseguir, tente usar
bilhetes. Lembre-se de que seu objetivo é a comunicação: o método não importa,
pode ser qualquer um.
Quando duas pessoas estão
conversando em linguagem de sinais, é muito grosseiro andar entre elas. Você
estaria atrapalhando e impedindo completamente a conversa.
Quando você encontrar uma pessoa muda...
Algumas pessoas mudas preferem a comunicação
escrita, algumas usam linguagem em código e outras preferem códigos próprios.
Estes métodos podem ser lentos, requerem paciência e concentração. Talvez você
tenha que se encarregar de grande parte da conversa. Tente lembrar que a comunicação
é importante. Você pode ir tentando com perguntas cuja resposta seja sim/não.
Se possível ajude a pessoa muda a encontrar a palavra certa, assim ela não
precisará de tanto esforço para passar sua mensagem. Mas não fique ansioso,
pois isso pode atrapalhar sua conversa.
Quando você encontrar um Paralisado Cerebral
O paralisado cerebral tem
necessidades específicas, por causa de suas diferenças individuais. Para lidar
com este grupo de pessoas, temos as seguintes sugestões:
1 - é muito importante respeitar o ritmo do PC, geralmente ele é mais vagaroso naquilo que faz como andar, falar, pegar as coisas, etc.
2 - tenha paciência ao ouvi-lo, pois a grande maioria tem dificuldade na fala. Há pessoas que confundem esta dificuldade e seu ritmo lento com a deficiência mental.
3 - não trate o PC como uma criança ou incapaz.
4 - lembre-se que o PC não é um portador de uma doença grave contagiosa, porque a paralisia cerebral é fruto de uma lesão cerebral, ocasionada antes, durante ou após o nascimento, causando desordem sobre os controles dos músculos do corpo. Portanto, não é doença e nem muito menos transmissível.
Como se portar frente a uma pessoa com deficiência
mental:
Este texto é de Tania Regina
Levada Neves - (levada@universe.com.br)
Em primeiro lugar, lembre-se:
você está diante de uma pessoa que quer e pode ser feliz. Se for um bebê,
brinque com ele, acaricie como você faria com qualquer outro bebê. Não se
revista nem de dó nem de culpa apenas aja naturalmente. Descubra nele os encantos
que todos os bebês têm.
Se for uma criança, brinque com
ela, converse, dê atenção – sua atenção, suas brincadeiras poderão ser uma
importante fonte de estimulação. Crianças com deficiência mental precisam (
como qualquer outra criança) ser estimuladas a participar, a interagir. Permita
que ela brinque com seus filhos e que seus filhos brinquem com ela – é o
primeiro passo para a extinção do preconceito. Seja natural, diga palavras
amistosas, evite a superproteção.
Se for um jovem, trate-o como
jovem. Não use expressões infantilizadas nem se refira a ele como uma criança.
Se estiver na escola, não o trate como um pequenino de pré-escola- ele (ou ela)
é um jovem, adolescente, que precisa ser respeitado como tal e questionado quanto
a seus sonhos, sentimentos e aspirações. Lembre-se: o respeito está em primeiro
lugar e só existe quando há troca de ideias, informações e vontades. Por maior
que seja a deficiência, lembre-se da eficiência da pessoa que ali está.
Se for um adulto ou um idoso,
permita que ele usufrua o bem estar e do respeito que são direcionados às
pessoas dessa faixa etária. Permita que participe de reuniões alegres,
converse, alivie a solidão que cresce para todos nessa faixa etária,
especialmente para as pessoas com deficiência mental.
E, principal: caso você tenha
alguma dúvida ou mesmo não possua qualquer informação sobre deficiência mental,
não se acanhe em perguntar, buscar esclarecimentos e informações. Mas,
importante: busque essas informações junto a pessoas, associações ou entidades
que realmente possam dar a você uma ideia exata, desprovida de preconceitos e
pré-julgamentos.
Faça isso e você verá o quanto é
importante e enriquecedor aprendermos a conviver com a diversidade!
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